Quiet quitting: o que é e como impacta o ambiente de trabalho

quiet quitting

O ano é 2022. Nas redes sociais, uma nova “trend” (ou tendência) surge no TikTok: o Quiet Quitting. Através de vídeos, usuários (colaboradores) falam sobre a ideia de, aos poucos, sentirem-se desestimulados no ambiente de trabalho.

Eles continuam desempenhando seus papéis, mas se entregam menos ao estresse das rotinas agitadas do expediente. Cumprem suas funções apenas durante o período delimitado legalmente para trabalho. Nada de atender ligações, responder mensagens ou realizar outras funções fora do horário.

A BBC, rede britânica de televisão, se interessou pelo assunto. Quis entender a nova expressão que se espalhava pelo meio digital. Nos RH’s e no meio corporativo, o tema também repercutiu e se tornou uma tendência de abordagem na rotina de colaboradores. Afinal, o que é o quiet quitting? Quais são as suas causas e como lidar nas empresas? Descubra a partir de agora, lendo o blog da semana.

O que é quiet quitting?

O quiet quitting, apesar de ser traduzido como desistência silenciosa, não tem a ver com sair da empresa. A ideia do movimento é reduzir a quantidade de trabalho ao mínimo exigido em contrato, como resposta à sobrecarga e excessos vivenciados pelos hábitos workaholics (trabalhadores compulsivos).

Segundo a Robert Half, o quiet quitting surge como uma resposta ao desgaste psicológico e priorização em relação ao trabalho, principalmente depois da pandemia. O estudo da consultoria mostra como alguns dos motivadores para a demissão silenciosa: a falta de reconhecimento e oportunidades, apontada por 62% dos entrevistados, e a insatisfação com a liderança, dita por 43%.

Para os trabalhadores que adotam o quiet quitting, é preciso repensar a relação com as atividades e não viver mais em função do trabalho, mas sim, trabalhar para viver. Por isso, são contra longas jornadas de trabalho e a favor de uma separação clara entre vida profissional e pessoal.

O principal objetivo dos quiet quitters é o equilíbrio e qualidade de vida. E isso se tornou uma tendência na busca por empregos, como apontado por pesquisa da Microsoft: para 46% dos candidatos, a prioridade é encontrar uma cultura organizacional positiva, 42% buscam benefícios relacionados a saúde e bem-estar e 38% prezam por horário de trabalho flexível.

Deu para perceber que a desistência silenciosa mudou o foco dos trabalhadores, certo? Vamos entender melhor as causas desse movimento.

Quais as causas do quiet quitting?

O principal objetivo do quiet quitting é o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, priorizando os cuidados com a saúde mental e qualidade de vida e combatendo doenças como o estresse, que afeta 67% dos trabalhadores segundo o relatório People At Work e o burnout, que atinge 32% da população, de acordo com pesquisa da International Stress Managemente no Brasil.

Como evidenciado pelos números e conteúdos sobre a tendência, o quiet quitting está diretamente relacionado com a insatisfação com o trabalho. As causas que, aos poucos, constroem um ambiente propício para a manifestação são:

  1. Cultura desalinhada: cria ambientes com altos níveis de estresse, ansiedade e insatisfação, com busca incessante por produtividade, metas inatingíveis e longas jornadas de trabalho.
  2. Baixa remuneração: faz com que profissionais sintam-se desvalorizados e pouco estimulados financeiramente. O que afeta a produtividade, o engajamento e a felicidade.
  3. Falta de Reconhecimento: por parte das lideranças ou comportamentos inadequados podem gerar demissões silenciosas. O paradoxo é que os líderes que deveriam prevenir esse comportamento muitas vezes são as causas.
  4. Ambiente Desmotivante: um clima negativo, inflexível, sem espaço para feedbacks e transparência, influencia a maneira como os colaboradores interagem e realizam suas tarefas.
  5. Abuso de Poder da Gestão afeta a satisfação e produtividade do colaborador, que trabalha com medo de retaliação e se sentem inibido.
  6. Sobrecarga de Trabalho, o que leva os funcionários a perderem o entusiasmo e o interesse em suas funções.

Combater as causas do quiet quitting e estimular o engajamento dos funcionários pode fazer toda a diferença nos resultados: entenda melhor.

Consequências do quiet quitting para as empresas

Assim como as causas, as consequências do quiet quitting afetam os profissionais e as organizações, já que o movimento tem tudo a ver com comportamento. Para identificar se há casos na sua empresa, observe os seguintes fatores:

  • Redução no engajamento e produtividade: como priorizam fazer apenas o mínimo exigido, os quiet quitters diminuem a participação em atividades da empresa, como eventos e programas. Além disso, a produtividade diminui pela falta de perspectiva, baixa integração das equipes e desânimo com as tarefas.
  • Recorrência de afastamentos por problemas de saúde mental: fique alerta caso perceba alto índice de afastamentos em decorrência de estresse, depressão e ansiedade. A insatisfação e a sobrecarga de trabalho podem ocasionar esses e outros problemas de saúde mental.
  • Baixa interação com a equipe: como se sentem desmotivados, as pessoas que adotam a demissão silenciosa muitas vezes deixam de fazer trocas com seus pares e lideranças. Isso prejudica o clima organizacional e afeta as entregas, já que o trabalho em times é essencial.

Como lidar com o quiet quitting?

Depois de entender melhor o significado, as causas e consequências, é importante saber como lidar com o quiet quitting, caso ele esteja por perto. O mais importante é se preocupar com as pessoas e com a forma como a empresa lida com as preocupações individuais, dando respostas a tudo o que possa ser perguntado.

Anote algumas dicas:

Promova um ambiente acolhedor e flexível, no qual as pessoas tenham suas folgas respeitadas, acesso a benefícios para cuidar da saúde e bem-estar, modelos de trabalho flexíveis e que permitam o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Ouça seus colaboradores, afim de criar uma cultura onde o diálogo seja o principal motor de movimento e desenvolvimento profissional. Times funcionam muito melhor quando são estimulados por ideias, quando conseguem expor suas iniciativas, encontram espaço para serem criativos e não se sentem apenas demandados de forma excessiva e mecânica.

Invista em uma comunicação interna eficiente, que seja transparente, reporte a situação e a cultura da empresa, promova momentos inclusivos e um clima positivo.

Aposte no desenvolvimento das lideranças, para que tenham uma gestão humanizada, desenvolvam um ambiente de feedbacks e confiança para dar segurança aos funcionários.

Faça pesquisas de clima e promova a cultura do feedback, dessa forma as pessoas serão ouvidas e, ao identificar uma necessidade, o RH e a gestão podem preparar planos de ação para atuar nas dores apontadas.

Promova reconhecimentos e recompensas, afinal, se sentir valorizado pode fazer toda a diferença para o engajamento e satisfação dos profissionais. Tenha políticas de remuneração que sejam claras e recompense o esforço sempre que possível.

É muito importante que a empresa coloque os colaboradores no centro e olhe para suas preocupações, para promover cuidados e prevenir a desmotivação, como nos casos de quiet quitting.

Depois de entender como se manifesta o quiet quitting, já ouviu falar no que são riscos psicossociais? Ao promover um ambiente que cuida da saúde mental das pessoas, você previne esse problema: clique aqui e saiba mais.

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