NR-1: sua empresa está por dentro das novas exigências? Entenda! 

A segurança no ambiente de trabalho sempre foi uma pauta essencial para empresas comprometidas com o bem-estar dos colaboradores. E, nos últimos anos, esse cuidado passou a ter ainda mais respaldo legal com as atualizações na Norma Regulamentadora n.º 1 (NR-1). 

Como gestor de RH, entender o que mudou é fundamental para garantir a conformidade da empresa, evitar penalidades e, principalmente, transformar a saúde e segurança do trabalho em uma aliada estratégica da cultura organizacional. 

O que diz a NR-1? 

A NR-1 é a norma que estabelece as disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho. Em outras palavras, ela define diretrizes que todas as empresas devem seguir para prevenir acidentes e doenças ocupacionais, independentemente do porte ou segmento. 

Segundo o texto da própria norma: 

“O objetivo desta Norma é estabelecer as disposições gerais, o campo de aplicação, os termos e as definições comuns às Normas Regulamentadoras – NR relativas a segurança e saúde no trabalho e as diretrizes e os requisitos para o gerenciamento de riscos ocupacionais e as medidas de prevenção em Segurança e Saúde no Trabalho – SST.” (NR-1, item 1.1.1) 

Essa norma também é responsável por orientar a aplicação das demais NRs, funcionando como um guia para o cumprimento de obrigações legais relacionadas à segurança no ambiente laboral. 

O que isso significa no dia a dia da empresa? 

Na prática, é preciso haver a incorporação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como base da estratégia de segurança. O GRO propõe que a empresa identifique, avalie e controle riscos de forma sistemática, considerando todos os perigos que podem impactar a saúde física e mental dos colaboradores. 

Esse olhar se torna ainda mais relevante no cenário atual: segundo dados do governo a Previdência Social concede 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais. Isso é um indicativo claro de como os riscos psicossociais impactam a força de trabalho. 

É aí que entra o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que funciona como a materialização do GRO no dia a dia. Ele organiza e documenta esse processo, reunindo informações como: 

  • levantamento de perigos e riscos existentes nas atividades; 
  • avaliação e classificação desses riscos; 
  • definição de medidas de prevenção e controle; 
  • planos de ação e acompanhamento contínuo. 

As novas atualizações da norma 

Um dos principais pontos de atualização é a obrigatoriedade da inclusão dos “riscos psicossociais” como parte do PGR das empresas. Os riscos psicossociais se referem a situações do ambiente de trabalho que afetam negativamente a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores.  

Entre eles estão assédios moral e sexual, ambiente de trabalho tóxico, jornadas exaustivas, falta de suporte emocional e excesso de pressão e metas inatingíveis. Esses riscos aparecem de formas que nem sempre são óbvias no dia a dia, mas que impactam diretamente a experiência do colaborador.  

Alguns exemplos comuns incluem cobranças excessivas e constantes, comunicação agressiva ou desrespeitosa por parte de lideranças e clima organizacional hostil e pouco colaborativo. 

Diferente de um risco físico, como um equipamento inadequado, os riscos psicossociais são mais difíceis de identificar, justamente por estarem ligados à forma como o trabalho é organizado e às relações interpessoais dentro da empresa. 

Quando entram em vigor as exigências? 

A atualização da norma foi determinada pela Portaria n.º 1.419, de 27 de agosto de 2024 e o novo prazo é: 

  • Entrada em vigor das exigências: 26 de maio de 2026 

Ou seja, as empresas precisam se adequar para não sofrer multas e outras sanções, que podem variar conforme a gravidade da infração e o número de funcionários afetados. 

Como as empresas podem se adequar para essas mudanças? 

A adequação à nova NR-1 exige planejamento e envolvimento de toda a empresa, especialmente do RH, que está na linha de frente da gestão de pessoas. Veja algumas etapas essenciais: 

Faça um diagnóstico organizacional 

Revise o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), alinhado ao GRO. O documento deve identificar perigos, avaliar riscos e definir medidas de prevenção. Crie medidas para mapear os fatores de risco psicossocial presentes no ambiente de trabalho. 

Esse diagnóstico pode ser feito por meio de diferentes frentes, como: 

  • aplicação de pesquisas de clima organizacional; 
  • entrevistas individuais ou em grupo com colaboradores; 
  • análise de indicadores de RH (turnover, absenteísmo, presenteísmo); 
  • avaliação de afastamentos por questões relacionadas à saúde mental; 
  • uso de canais de escuta ativa, como ouvidorias e canais de denúncia. 

 Estabeleça um cronograma de adequação 

Com base nos prazos legais, crie um cronograma interno para garantir que todas as etapas sejam concluídas até o fim de 2026. Lembre-se de envolver o jurídico e as lideranças que devem contribuir com a aplicação. Para tornar esse processo mais estruturado, vale organizar a adequação em etapas como: 

  • diagnóstico inicial dos riscos ocupacionais (incluindo os psicossociais); 
  • revisão e atualização do PGR; 
  • definição e implementação de ações preventivas e corretivas; 
  • capacitação de lideranças para gestão de pessoas e prevenção de riscos; 
  • monitoramento contínuo e revisão periódica das ações. 

Crie políticas de prevenção e soluções confiáveis 

Caso não tenha, é importante criar programas de apoio emocional e canais de denúncia seguros. Além disso, ações de bem-estar corporativo são importantes para melhorar o ambiente de trabalho. Isso pode envolver, por exemplo, a inclusão de benefícios como vale farmácia ou um cartão flexível. 

No entanto, é importante destacar que os benefícios, por si só, não garantem a conformidade com a NR-1. Eles devem estar integrados a uma estratégia mais ampla, que inclua mudanças na cultura organizacional, na forma de gestão e nas condições reais de trabalho.

O que não é estar em conformidade com a NR-1? 

Mais do que oferecer soluções pontuais, a empresa precisa atuar na causa dos problemas, promovendo um ambiente psicologicamente seguro, com lideranças preparadas, comunicação respeitosa e práticas consistentes de cuidado com as pessoas. Veja alguns exemplos para identificar a conformidade: 

“Tenho um canal de denúncia. Estou adequado?” 

Não necessariamente. O canal é importante, mas precisa ser efetivo, seguro, amplamente divulgado e acompanhado de ações concretas diante dos relatos. 

“Ofereço psicólogo corporativo. Estou em conformidade?” 

Não sozinho. O suporte psicológico é relevante, mas não substitui a identificação e a eliminação das causas dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. 

“Faço campanha de saúde mental uma vez por ano.” 

Não basta. A NR-1 exige uma abordagem contínua, com monitoramento, prevenção e melhoria constante e não apenas ações pontuais. 

“Incluí benefícios de bem-estar.” 

Também não é suficiente. Benefícios ajudam, mas não resolvem problemas estruturais como sobrecarga, gestão inadequada ou clima organizacional negativo. 

Quais são os documentos que a empresa precisa manter? 

Para comprovar a conformidade com a NR-1, a empresa deve manter registros atualizados e organizados das ações relacionadas à gestão de riscos. Entre os principais documentos e evidências, estão: 

  • Inventário de riscos ocupacionais (incluindo riscos psicossociais); 
  • Plano de ação com medidas de prevenção e controle; 
  • Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) atualizado; 
  • Registros de treinamentos realizados (listas de presença, conteúdos, datas); 
  • Atas de reuniões internas sobre saúde e segurança; 
  • Relatórios de investigação de incidentes e não conformidades; 
  • Evidências de ações corretivas e preventivas implementadas; 
  • Histórico de monitoramento e acompanhamento dos riscos; 
  • Registros de canais de denúncia e tratativas realizadas. 

Leia também: Como prevenir doenças ocupacionais: 5 ações essenciais   

6 indicadores que o RH precisa monitorar 

Para garantir que a gestão de riscos seja contínua e eficaz, especialmente diante das exigências da NR-1, o RH precisa acompanhar indicadores que ajudem a identificar padrões, antecipar problemas e orientar ações preventivas. Alguns dos principais são: 

  1. Absenteísmo 
  2. Turnover (rotatividade) 
  3. Afastamentos por saúde mental 
  4. Produtividade das equipes 
  5. Engajamento dos colaboradores (ex: pesquisas de clima) 
  6. Uso de canais internos (denúncias, ouvidoria, escuta ativa) 

4 dicas para o RH transformar a NR-1 em oportunidades 

Mais do que uma obrigação legal, a NR-1 pode ser usada como uma ferramenta estratégica para o RH promover uma cultura organizacional mais saudável, segura e engajada. Veja como:

1. Fortaleça a cultura da segurança e do bem-estar

Utilize os princípios da NR-1 como base para disseminar uma cultura preventiva dentro da organização. Promova treinamentos contínuos, campanhas educativas e rodas de conversa que envolvam todos os níveis da empresa. 

 Isso pode incluir integrar temas de saúde e segurança nos onboarding, realizar DDS (Diálogo Diário de Segurança), criar trilhas de aprendizagem sobre saúde mental e incentivar pausas e boas práticas no dia a dia.

2. Engaje lideranças no processo de transformação

A mudança cultural começa pelo exemplo. Ao capacitar líderes para atuarem como agentes de segurança, o RH amplia o alcance das ações previstas na NR-1. Na prática, isso significa treinar gestores para identificar sinais de sobrecarga, conduzir conversas difíceis, agir diante de comportamentos inadequados e acompanhar indicadores de suas equipes.  

Também envolve incluir metas relacionadas a clima e bem-estar na avaliação de desempenho das lideranças. Esse movimento fortalece a gestão de pessoas, reduz riscos psicossociais e contribui diretamente para retenção de talentos e melhora do clima organizacional.

3. Valorize a imagem institucional da empresa

Organizações que demonstram compromisso com a segurança e o bem-estar dos colaboradores se destacam no mercado. Esse cuidado reforça a reputação da empresa junto a candidatos, parceiros, clientes e investidores. 

Isso pode ser refletido em relatórios de ESG, comunicação institucional, employer branding e até em processos seletivos mais transparentes sobre a cultura da empresa. O resultado é o fortalecimento da marca empregadora, maior atração de talentos qualificados e redução de custos com contratação e turnover.

4. Melhore o clima organizacional

A aplicação correta da NR-1 impacta positivamente o bem-estar físico e emocional dos colaboradores, reduzindo o estresse, os afastamentos e a rotatividade. Para tanto, é preciso revisar cargas de trabalho, melhorar processos, criar canais de escuta ativa e agir rapidamente sobre problemas identificados.  

Não se trata apenas de oferecer benefícios, mas de ajustar a forma como o trabalho é estruturado. Assim, a empresa ganha equipes mais engajadas, produtivas e colaborativas, o que impacta diretamente os resultados e a sustentabilidade do negócio. 

Em resumo, as mudanças da NR-1 não devem ser encaradas como um obstáculo. Com planejamento, engajamento e visão estratégica, o RH pode liderar esse processo de forma estruturada, reduzir riscos legais e gerar valor real para o negócio. Quer fortalecer ainda mais o bem-estar no trabalho? Baixe agora nosso conteúdo gratuito sobre a NR-1. 

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VALERIA CARDOSO
19 de junho de 2026